Príncipes encantados






  O que rola com a minha amargura de adolescente frustada é que eu sempre esperei por um príncipe encantado (não exatamente numa torre, mas o meu quarto, que pode-se apelidar de bat-caverna). Eu me imaginava em algum momento da minha vida vivendo o fulgor do amor á primeira vista, tendo meu primeiro beijo e outras primeiras coisas com o cara, ter filhos lá pros 27 junto de todos os gatos que eu encontrasse na rua e PRONTO.
Final feliz escrito está.

  Mas o universo não colabora comigo.

  Talvez ver duas vezes por dia Cinderella aos 5 anos tenha contribuído para a minha tietisse em príncipes encantados, mas deixa baixo.
O fato é que após eu encher o saco dos meus pais com a minha cantoria desafinada minha obsessão em formato de DVD sumiu da prateleira de filmes. Lembro que chorei por um dia inteiro, porém a substituição foi rápida e quase indolor. Lilo & Stitch era o nome do novo amor da minha vida (e é até hoje).

  Eu fui crescendo e com o passar do tempo dissertava sobre os garotos da minha sala enquanto permanecia escondida dentro do banheiro feminino. E é claro que logo depois vieram as comparações deles com os caras nos meus livros de romance e olha... Tava pior que "O Massacre da Serra Elétrica".
Crescendo acompanhada de Jane Austen, Julia Quinn, Sarah MacLean e sendo criada por "O Morro dos Ventos Uivantes", "Orgulho e Preconceito", "Stardust - O Mistério da Estrela" e "A Vida Era Assim em Middlemarch", OBVIAMENTE EU FUI TAPEADA E ME DECEPCIONEI COM O MUNDO REAL.

  Não demorou muito para os fios do meu cérebro se conectarem um com o outro e eu perceber que meu príncipe encantado estava mais para um cara que queria ficar com todas, com algumas desavenças com a caligrafia e sem cavalheirismo nenhum. Ah, e não era exatamente um sapatinho de cristal que ele queria encaixar em mim.

  Vendo que aquilo de príncipe encantado não era pra mim (mas ainda guardando a ideia no coração), abandonei o trem dos apaixonados e mergulhei na toca do Hobbit, rodeada por baldes de pipoca, pilhas de livros geeks e de romance e lencinhos pra choro.
Eu sempre estive convicta de ter nascido no século errado, e por isso optei por viver parcialmente como ermitã.

*Nota*: Sou muita dramática

" Mas, Isa, você quer chegar aonde com essa ladainha toda ao som de Naiara Azevedo? "


SIMPLES! Eu havia feito apenas uma promessa: A de não crushar ninguém (porque sempre defendi a bandeira de que romance/crush/namoro e ensino médio não se cheiram).
O que eu fiz depois de uma semana tanto pessoalmente quanto pelo whatsapp?

Isso, mesmo, caros planetários de plantão, eu comecei a crushar o Rafael.

  Dentro da minha cabeça sirenes vermelhas piscavam e soavam um alerta, havia fogo e várias Isabellinhas corriam de um lado pro outro. A frase "MAY DAY! MAY DAY!" ficava estampada na imagem.

Tudo bem, não é que o Rafa fosse digno de colocar um sapatinho no meu pé e fosse equiparado á um Maxon ou Sr. Darcy da vida...



... mas pelo menos ele era viciado em Harry Potter, Pokemon e ria das minhas piadas.


  E quem precisa de príncipe encantado quando se tem um bruxo de Hogwarts pra te fazer companhia?

 N O T A : Grifinória é a melhor casa. (Escrevi e saí correndo)

Até um dia aí.
Câmbio, desligo.

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